domingo, 10 de fevereiro de 2008

. Eu Acredito! DEZ SINTOMAS DE FANATISMO RELIGIOSO CRISTÃO
10 - Você vigorosamente nega a existência de milhares de deuses de outras religiões, mas sente-se ultrajado quando alguém nega a existência do seu.

9 - Você se sente ofendido, diminuido e desumanisado quando os cientistas dizem que as pessoas evoluíram de outras formas de vida, mas não vê problema com o ensinamento bíblico de que nós fomos feitos da lama.

8 -
Você rí dos politeístas, mas não tem problemas em acreditar em uma Trindade Divina.

7 - Você fica indignado quando ouve as atrocidades atribuídas a Allah no Alcorão, mas sequer pisca quando ouve sobre como Deus da Bíblia se alegrou com sacrifícios de animais em "Gênesis", matou todos os bebes do Egito em "Exodus", justificou a escravidão em "Deuteronômio" e ordenou a matança de diversos grupos étnicos nos livros proféticos, incluindo a eliminação de mulheres, crianças e árvores!

6 - Você ri da crença hindu de deuses humanóides, da visão Nórdica de Valhalla e da narrativa grega de deuses dormindo com mulheres, mas não tem problemas em acreditar que o Espírito Santo engravidou uma virgem que deu a luz a um homem-deus que foi morto, ressuscitou e subiu aos céus.

5 - Você não perde a chance de expor pequenas falhas na idade da terra e do universo estabelecidas cientificamente, mas não acha nada errado acreditar nas datas deixadas por homens de tribos da Idade do Bronze que afirmavam que o mundo surgiu poucas gerações antes deles.

4 - Você acredita que toda a população deste planeta com exceção daqueles que compartilham a mesma crença que você - e é claro, excluindo as seitas rivais – passarão a eternidade em um Inferno de sofrimento infinito. E ainda considera sua religião a mais "tolerante" e "amorosa" de todas.

3 - Enquanto a ciência moderna, história, geologia, biologia e física falham em convencê-lo de qualquer coisa, um sujeito rolando no chão e falando em "línguas" que ninguém compreende basta como evidência para provar que o cristianismo é verdadeiro.

2 - Você define 0.01% como um "alto índice de sucesso" quando se trata de respostas a orações. Uma forte evidência de que rezar funciona. E atribui os 99.99% fracasso restantes a Vontade de Deus.

1 - Você na verdade, conhece menos do que muitos ateístas, agnósticos sobre a Bíblia, Metafísica Cristã e História da Igreja, e ainda assim chama a si mesmo de Cristão.

retirado de mortesubita.org

sábado, 9 de fevereiro de 2008


O ENVANGELHO SEGUNDO JUDAS



"Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu." (João I, 10)



"Beijos a toda a rapaziada!" (Judas I, 1)



II



"Nada é verdadeiro, tudo é possível...isto é uma banalidade"



Jerusalém, ano 0 A.C. Posar como messias era a última tendência. Os profetas apareciam como cogumelos. Uma profusão de lunáticos, néscios, parasitas, charlatães e outros da mesma igualha.

Eu fundei o negócio do momento: uma pop star com quem ninguém podia competir. O público estava predisposto a acreditar em tudo, se bem que tinha predilecção pelos derramamentos de sangue, motins, visões apocalípticas, milagres, aparições e last but not least a libertação do jugo de Roma.

Tinha que criar um género novo, qualquer coisa que confirme a expectativa do público mas que ao mesmo tempo seja a repetição do mesmo com novas roupagens. Andei de um lado para o outro durante algum tempo até que encontrei no deserto um carpinteiro cheio de crostas , um tipo que pregava a paz e o amor aos calhaus e aos gafanhotos: fotogénico, com o cabelo comprido e oleoso. Só que tinha uma merda de nome que não ficava no ouvido: Jesus de Nazaré. "Demasiado reles!" pensei eu. Precisava de qualquer coisa mais pop, mais americana... olhei o seu cabelo e disse-lhe: " A partir de agora, serás Jesus Christ, Jesus o Ungido! " Era o groove que eu procurava. Sugeri-lhe que viesse em tournée comigo e pregasse ao povo, com mesa e cama à minha custa. Expus-lhe a estratégia: "Devemos esmagar a concorrência jogando forte.

Os outros aspirantes de Messias querem salvar o povo de Israel? Tu salvarás a Humanidade. Eles querem expulsar os romanos de Israel? Tu vais abrir as portas do Reino dos Céus. Há um Messias da Sagrada Escritura? Tu serás nada menos que o próprio Deus feito Homem.



Tinha o frontman, agora precisava de encontrar a banda. Durante os três anos em que percorremos em tournée a Palestina recrutei onze gajos boçais e fáceis de enganar. A Jesus Cristo Superstar Tour encerrou-se com uma entrada triunfal em Jerusalém, à qual assistiram milhares de fans. A minha pop star estava no auge da fama. A padralhada e a bófia tinham-lhe um ódio de morte, dizendo que corrompia a juventude, que a amolecia. O seu público venerava-o.

É precisamente quando o vejo entrar na cidade entre duas alas de multidão em extâse, que tenho o grande pensamento.

"Se agora morresse em palco à frente dos fans, agora que ainda é jovem e belo, tornar-se-ia imortal. Um mártir revolucionário imolando-se por amor à Humanidade". Soava bués de fixe, man!

Revelei a Caifás e a Pilatos o local de uma reunião secreta. A Polícia veio e prendeu-o.

Quando o beijei pensava "Agora sim é verdadeiramente um deus, o maior ícone pop da história!"



Depois, as coisas começaram a escapar-me das mãos.

Pedro, o mais crédulo da banda, alardeou que esse Jesus o tinha encarregado de fundar uma igreja. Como sempre, os teóricos da conspiração começaram a afirmar que o ídolo na realidade não estava morto, que um gajo o tinha visto no deserto. As pessoas acabaram por pôr-se de acordo em relação a uma versão da história: que tinha ido para o céu, mas que mais tarde ou mais cedo voltaria e resolveria todos os seus problemas.

Acabaram por vender o ídolo ao poder: os mesmos sacerdotes e polícias que criaram o mártir, reapropiam-no para se legitimarem com roupagens novas: uma estola.

Claro que já me estou a cagar para toda esta estória. Tenho simplesmente que sair de cena e passar a viver dos rendimentos até ao regresso do untado, isto é, para sempre, já que o gajo está tão morto como um prego.







III.





Tinha apenas escrito os próximos dois mil anos de história. tenho o direito de copyright sobre todo o

imaginário ocidental. O Complot Gnóstico queria o controlo da História. Sim : o grande complot da Providência. Sabem, toda a conspiração antes de ter um objectivo tem que ter uma razão de ser interna: uma conspiração tem que ser um jogo auto-suficiente, um quebra-cabeças mutável... nunca nos fartamos de puzzles. Aquela gente divertiu-se com o ícone que eu lhes forneci durante dois milénios, porra! As suas esperanças de redenção tornaram-se um fluxo interminável de lágrimas e gemidos. Os descendentes de Pedro dirigem a mascarada da Fé com os cruzados da Associação Católica dos Trabalhadores Italianos, as irmãzinhas formato-goblin e a escumalha do costume. Não suporto esse tipo de merdas, já não tenho estômago para isso.



De há uns tempos para cá ando a maquinar um plano. Sou um homem de acção, não suporto estar parado, há tanta coisa para fazer, um sem número de riscos a correr. Um profissional como eu sabe que o fim de uma era é como os seus começos... o caos, o Far-West, a polinização cruzada das ideias que geram novos ícones, novas mitologias para entreter, e sobretudo novos complots cósmicos. Um gajo tem que sentir a mudança no ar, as novas tendências; tem que fossar nos locais cheios de fumo, nas vielas, nas cartas ao Editor.

Cum caralho, estamos no fim do milénio; em 1148,o Malaquias, aquele velho monge irlandês, previa o futuro na obscuridade da sua cela, escreveu uma lista com 112 papas até esta altura, e o fim da lista

coincidia com o início do apocalipse. E sabem o melhor, o polaco é o penúltimo. Já não falta muito.

Foi o próprio Malaquias que me deu a ideia, está tudo lá. Ele escreveu que o último papa se atreveria a

chamar-se Pedro II- com o último papa a tomar o nome do primeiro, o círculo fecha-se. Isso anuncia o fim da Igreja de Roma e a entrada em cena do Apocalipse .



Basta partir daqui e trabalhar um pouco o conceito. Quer-se uma definição nova, quer dizer...menos autoritária. "Hipocalipse", revelação desde baixo. Sim, porque desta vez não trabalharei (que palavra feia!) com um só messias; de único terá o nome, o tag , a máscara. Desta vez o messias é potencialmente a

maralha toda. Estou a pensar num ícone multiforme, que atravesse todas as modas, todos os ambientes, e que se preste do início ao fim a ser reciclável por todos menos pelos chuis e padrecas (i.e. artistas, publicitários, etc); que os gurus vão pro caralho!

Nos últimos tempos estou a trabalhar num personagem fascinante, muito trendy, que é muito prometedor para isso. Mas sobretudo tem um nome musical que se publicita por si: LUTHER BLISSETT.